sexta-feira, 30 de novembro de 2007

O Buteco

Se tem uma coisa que me comove são conversas de balcão de boteco.
Em balcão de boteco, todos os assuntos são permitidos. É o único lugar em que as verdades nunca se calam. Nem as mentiras. Com o cotovelo apoiado em um deles, a vida é muito melhor, todo o mundo é muito mais amigo.
Mas pra que isso tudo dê certo, tem que ser boteco de verdade. Boteco mesmo, daqueles com móveis de fórmica, estufa com torresmo peludo, salsicha no molho e ovo azul. Sem esquecer dos picles, tremoços, cebolas e outros quitutes. (Não que eu seja chegado à comida, mas sempre é bom beber sabendo que, qualquer hora, dá pra pegar um negocinho pra beliscar.)
Por isso, nem adianta me convidar para um “boteco novo que inauguraram no Itaim”. Em primeiro lugar, não existe boteco novo. Em segundo, ninguém inaugura um boteco. Em terceiro, no Itaim é impossível ter boteco. Boteco tem que ter alma. Não é simplesmente abrir um estabelecimento e chamar de boteco. Abre-se um bar, que pode ou não se tornar um boteco. Para que haja a transformação, tem que acontecer muita coisa. Tem que ter pelejas de sinuca, dominó e truco, tem que ser fechado pela vigilância sanitária pelo menos umas três vezes e, mais importante, tem que ter um péssimo atendimento.
Aí sim é o local ideal, como o boteco do Antonio (cinebar) aqui em frente a Nova Fórmula.

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